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Sunday, March 13, 2011

Modelismo - Como Começar (3ª Parte)



Olá a todos.

Com este artigo termino a série de três que resolvi escrever sobre as principais ferramentas e acessórios que cada modelista ou aspirante deve possuir antes de se iniciar nesta actividade lúdica, tentei ser o mais sucinto possível para poder ser entendido por todos e evitei utilizar os termos mais técnicos que são vulgares neste hobbie, a minha vontade de escrever estes artigos era bastante grande, fruto de vários pedidos de visitantes e amigos, só faltava o tempo, a pesquisa das imagens na Internet e um texto bastante acessivel a todos para poder realizar uma vontade já bastante antiga, assim hoje terminamos com este último artigo, a partir de agora penso que todos já ficaram com uma ideia daquilo que devem comprar para se tornarem modelistas de corpo inteiro, resta dizer que os artigos anteriores estão também disponíveis bastando para isso clicarem aqui:


Passemos então á explicação final, com a aquisição destes componentes ficarão de certeza com uma bancada de trabalho preparada para abrirem a vossa primeira caixa de um kit e iniciarem-se nas lides modelísticas.


Betume ou "Putty":

Seguindo a ordem dos artigos anteriores, já cortamos as peças das árvores, limamos e lixamos as irregularidades e agora reparamos que algumas peças possuem concavidades abaixo da linha da sua superfície, sejam elas defeitos de moldagem ou marcas de pinos de injecção do plástico durante o processo de fabrico.


Putty Tamiya
À semelhança das reparações de veículos reais também os nossos modelos precisam por vezes de serem betumados para disfarçarmos defeitos nas carrocerias ou de outro género, para isso usamos um betume próprio para modelos à escala, é uma massa muito fina que deve ser aplicada nas zonas onde queremos efectuar as correcções, as melhores são as que são vendidas pelas próprias marcas de modelismo e neste caso particular destaco o Putty da Tamiya.

É vendido como uma pequena bisnaga metálica e o seu conteúdo dará para fazermos inúmeras reparações ao longo dos anos, já vem pré-diluido  e basta aplicar uma pequena quantidade, só o mínimo indispensável através de uma pequena espátula, deixar secar e depois passar com lixa de água até termos a superfície completamente rectificada e sem altos e baixos, no final de contas é a mesma coisa que taparmos um buraco e depois retirarmos todo o material que ficou a mais, deixando uma superfície perfeita.


Fita para máscaras e pintura:

Fita para pintura
Aqui já começamos aproximarmo-nos do melhor que o modelismo possui, a alegria de pintarmos um modelo é inigualável, vermos as peças a ganharem cor nas nossas mãos é uma sensação que nos deixa o todos com uma sensação de satisfação.

Porém, antes de começarmos a pintar qualquer modelo não podemos descurar a compra de um pequeno acessório que nos será muito útil no futuro se por acaso quisermos fazer pinturas com várias cores dentro das mesmas peças e necessitarmos de isolar uma ou mais das outras, vamos sempre precisar de fita de pintura para podermos levar a cabo estas tarefas mais complicadas e que exigem na maioria da vezes muita precisão.

Benetton B188, Tamiya 1/20
Esta fita faz precisamente a mesma função que as suas congéneres do sector automóvel, servem para isolarmos zonas do modelo que não queremos pintar e mais importante ainda são muito úteis para as máscaras que termos que fazer para pinturas multicor, para isolarmos as cores já pintadas das que ainda faltam pintar e para desenharmos também os padrões necessários a essas mesmas pinturas, um desses exemplos é o modelo que mostro a seguir, um Benetton B188 da Tamiya que necessita de várias cores diferentes na sua carroceria e ao mesmo tempo possui um padrão de distribuição das mesmas bastante preciso, é para este tipo de trabalhos que as fitas de pintura são essenciais, imaginem fazer uma pintura destas só a pincel e com a mão livre, desenhando à mão, impossível não é?

Estas fitas existem em várias medidas diferentes consoante as nossas necessidades, as melhores são as fabricadas pela Tamiya e as dimensões disponíveis são de 6mm, 10mm, 18mm e finalmente de 40mm, podem ser encontradas nas melhores lojas de modelismo e pessoalmente aconselho a compra de duas espessuras que servirão na perfeição na maioria dos trabalho, 6 e 18mm, as outras não precisam de comprar pois só iriam encarecer o vosso orçamento e raramente seriam utilizadas, da mesma forma as fitas podem também ser cortadas com um X-Acto para reduzirmos a sua largura total e adaptarmo-las ao trabalho que necessitamos.


Pinceis:

Conjunto de pincéis
Finalmente, a hora de colorir as nossas peças aproxima-se e a ansiedade daí resultante é por demais evidente, só precisamos de mais um utensílio para além das tintas, os pincéis, eles são essenciais para um bom acabamento e resultado final, isto no começo porque mais tarde, com a experiência que vamos adquirindo começaremos também a pintar com aérografos e sprays. 

Para já precisamos de comprar um conjunto de pincéis variados que nos permitam a pintura com várias espessuras diferentes, pintar grandes superfícies ou simplesmente pequenos pormenores finais de detalhamento ou pequenas peças.

Existem vários tipos e formatos variados de pincéis, os mais adequados ao modelismo serão sempre aqueles fabricados com pelo de animal por serem os mais suaves, dentro deste existem os pincéis em pêlo de cavalo, marta, rato, etc, todos eles são ligeiramente diferentes na espessura dos pêlos e na sua dureza.

Lava-pincéis
Convém possuirmos uma variedade bastante diversificada de pincéis com espessuras diferentes, por norma, em quase todo o mundo os pincéis estão graduados em números que começam sempre por zeros e vão crescendo sendo que cada numero maior significa um maior numero de cerdas e logo um pincel mais grosso que o seu antecessor de numero mais baixo, por exemplo, começando pelo mais fino de todos temos : 000, 00, 0, 1, 2, 4, 8 e por aí fora, facil não acham?
Convém comprar também na mesma altura um "limpa-pincéis", isto não é mais do que um recipiente onde faremos a lavagem dos nosso pincéis e os colocaremos a secar depois da mesma, é constituído basicamente por uma tina em plástico ou metal onde será colocado o liquido de limpeza, na maioria da vezes diluente celuloso ou sintético, estes diluentes podem ser adquiridos na maioria da lojas de bricolage e não necessitam de ser caros, não vale a pena despendermos uma verdadeira fortuna em diluentes das marcas de modelismo porque esta operação de limpeza servira só para retirar a tinta que ficou nos pincéis ao passo que os diluentes mais caros servem essencialmente para diluir as tintas de pintura, torná-las mais fluídas.

Assim, na imagem imagem acima podem ver um exemplo de um limpa-pincéis, o recipiente está dividido em duas partes, numa dela coloca-se diluente para fazer a remoção da tinta deixando os pincéis de molho durante algum tempo, na outra faz-se o enxaguamento com diluente limpo para retiramos todo e qualquer resíduo que os mesmo ainda possam conter, no final colocam-se os pincéis a secar nos pequenos orifícios que existem na borda.


As tintas:

E pronto, já temos tudo o que necessitamos, agora precisamos das tintas que o manual de instruções do nosso modelo nos pede, todos os kits possuem uma lista das tintas que serão necessárias para a sua montagem e só convém comprar as tintas à medida que formos necessitando, muitas vezes a tinta utilizada num modelo servirá para fazermos muitos mais e é de extrema importância sabermos ao certo quais as tintas que já possuímos para evitarmos repetições desnecessárias.

Em Dezembro de 2009 escrevi um artigo bastante completo sobre as várias tintas que existem no modelismo e convido-os desde já a lerem o mesmo para poderem fazer as vossas escolhas de pintura, para acederem podem desde já clicar aqui, está lá tudo e provavelmente ficarão com as vossas dúvidas completamente esclarecidas, nós ficamos por aqui, o último artigo desta série está terminado e agora espero que comecem desde já a prepararem o vosso material, e logo que o conseguirem comprar não hesitem, abram de imediato a caixa do kit e.....

.......Bom Modelismo a todos!!


Um grande abraço.

Pedro Costa 

Wednesday, March 9, 2011

Modelismo - Como Começar (2ª Parte)


Olá a todos.

Hoje vou apresentar a segunda parte deste artigo que se destina em toda a sua essência a mostrar aos jovens modelistas, aqueles que estão a dar os primeiros passos na montagem de modelos á escala e também a todos aqueles que já têm uma experiência considerável quais os utensílios indispensáveis para podermos transformar uma caixa de um kit num modelo construído e bem montado, que seja motivo de orgulho e que nos encha ao mesmo tempo de satisfação por vermos o nosso trabalho reconhecido.

Para quem não acompanhou a primeira parte deste artigo deixo aqui o link para poderem aceder ao mesmo e lerem aquilo que escrevi e onde coloquei as primeiras ferramentas que qualquer modelista deve possuir na sua bancada de trabalho, para tal basta clicarem aqui.

Vamos então ao que interessa:

Brocas:

Brocas de precisão.
Finalmente chegou o dia, abrimos a nossa caixa, cortamos as primeiras peças das árvores e começamos a limpá-las das irregularidades que existiam, para isso utilizamos a lixa, o X-Acto e em alguns casos também as limas de calado, na altura reparamos que algumas dessas peças traziam marcas ou sinais de terem furos fechados ou pouco abertos, uma consulta rápida ao manual de instruções revelou-nos que teríamos que abrir esses furos ou em alguns casos alargá-los para medidas especificas, é aí que entram as bocas de precisão.

Conjunto de brocas e porta-brocas.
Estas brocas costumam ser vendidas nas melhores lojas de modelismo e vêm por norma em "sets" de cinco a dez unidades, cada conjunto é constituído por brocas de várias medidas, das mais pequenas até à maiores, temos de tudo um pouco, por norma as medidas mais habituais que são disponibilizadas estão separadas por divisões de um quarto de milímetro, temos assim portanto brocas com 0,25mm, 0,5mm, 0,75mm, 1mm, 1,25mm, 1,5mm, e por aí fora, existem outras medidas alternativas mas estas são as mais comuns.

Depois de comprarmos as nossas brocas precisamos de algo onde as possamos colocar para fazermos os nossos furos, um berbequim é demasiado grande e não nos permite a precisão necessária, podemos sempre comprar uma "Dremel" mas devido ao seu preço elevado muitas vezes fica completamente fora de questão, a única solução é a compra de um porta-brocas, esta pequena ferramenta nada mais é do que um berbequim manual onde colocamos as brocas numa das extremidades a isso destinadas e efectuamos os nossos furos através da rotação manual do mesmo, é muito simples de utilizar, barato e os resultados finais só dependem da habilidade de cada um, tal como nos outros aparelhos...

Pinças:

Pinça

Quantas vezes, ao abrirmos uma caixa de um qualquer modelo não ficamos surpreendidos com a pequena dimensão de algumas das peças que o compõem? E o receio que na maior parte da vezes sentimos de perdermos uma peça minúscula ou até mesmo de partirmos alguma coisa mais pequena?

É para evitarmos todos esses casos e receios que devemos comprar também uma ou duas pinças, esta ferramenta serve na perfeição para aqueles trabalhos que exigem precisão e também um controlo muito apurado das nossas mãos, podem servir para várias funções, desde colocar as peças a colar nas suas devidas posições, na colocação de decalques e demais acessórios de detalhamento como sejam as cablagens ou até as peças fotogravadas, etc.

Jogo de pinças.
Existem em formatos variados e podem ser compradas nas lojas de modelismo, electrónica ou também nas casas especializadas em material médico, o oferta existente é bastante vasta bastando por isso procurarmos o modelo ou o kit que mais se adequa às nossas necessidades e mais importante que tudo, nossa a carteira, estudem bem a relação preço/qualidade, os materiais em que são fabricadas, etc.

Deixo aqui um pequeno conselho: prefiram sempre as pinças fabricadas em aço inox, são mais resistentes à corrosão e não perdem a sua força de mola com tanta facilidade como outras, comecem por comprar uma pinça básica, de formato completamente direito e depois, se sentirem necessidade de mais optem então por uma de pontas curvas, ambas servem na perfeição para todos os trabalhos que serão por nós executados no futuro.

Colas:


Cola Revell com aplicador de agulha.
Agora vamos entrar no campo da prática, vamos começar a colar peças, esta operação de colagem pode ser dividida em várias fases, algumas vezes necessitamos de colar algumas peças do modelo que serão pintadas da mesma cor antes de se fazer a pintura enquanto que na maioria das vezes a operação de colagem só é efectuada já na parte final da montagem do kit, quando todas as peças já estão pintadas, secas e detalhadas.

É aqui que entram os vários tipos de cola para modelismo, ao contrário daquilo que se pensa, as colas para modelismo não podem ser de um tipo qualquer, são bastante especificas e serem para vários propósitos e tipos de aplicação consoante o tipo de colagem que queiramos efectuar.

Cola liquida Tamiya.
Para as colagens mais básicas, aquelas que são feitas de uma forma bastante normal e que se destinam no fim de contas a juntar duas ou mais peças que por norma não terão implicação na rigidez final do conjunto devemos utilizar as colas de modelismo, estas colas são vendidas em todas as lojas de modelismo e cada fabricante tem o seu próprio tipo, à semelhança de outras marcas, a Revell costuma apresentar-nos um pequeno recipiente em plástico que têm a vantagem de possuir um aplicador em forma de agulha furada para melhor controlarmos as dosagens necessárias que devem sempre ser mínimas.

Por outro lado, outros fabricantes como a Tamiya optam por frascos em vidro e também por um pequeno pincel localizado na tampa para fazermos a aplicação da cola, ambos os tipos são bastante válidos e funcionam da mesma forma: estas colas "atacam" o plástico derretendo-o e fazem quase uma soldadura na zona de colagem, depois de seco é praticamente impossível separar as peças pelas faces de colagem originais sem partirmos alguma coisa ou danificarmos de forma irremediável o nosso modelo, por outro lado estas colas se utilizadas em grandes quantidades vão derreter de tal forma os plásticos que as peças ficarão deformadas e inutilizadas ara sempre, por isso já sabem, usem sempre o mínimo de cola possível, não abusem ou podem arruinar uma bela montagem.

Super Cola ou Cianocrilato
Para aquelas colagens que já vão exigir um pouco mais de força estrutural no modelo ou que farão parte de conjuntos de suporte tais como as suspensões ou a colagem de componentes mecânicos de esforço como o motor ou monocoques temos que utilizar outro tipo de cola, uma cola forte que mantenha as peças no lugar durante muitos e muitos anos, é aí que entra o Cianocrilato, mais conhecido entre nós por Super Cola ou Super Bonder no Brasil.

Esta cola é bastante forte e seca muito rapidamente por isso é conveniente fazermos um estudo prévio das peças a colar, das zonas onde iremos aplicar a cola e também das quantidades a utilizar, deve ser utilizada com muita moderação e cuidado pois a mesma têm a horrível tendência de ficar colada a tudo, desde dedos a qualquer outro objecto que encontre no caminho, a melhor forma de fazer a aplicação desta cola é deitar um pouco da mesma numa superfície plana como por exemplo um CD inutilizado e fazer a sua aplicação nas peças por intermédio de um alfinete ou com um palito de madeira, desta forma evitamos o contacto da nossa pele com a mesma e não corremos tantos riscos de ficarmos com as peças coladas nas mãos ou nos dedos o que acarretaria uma deslocação ao hospital para remover a cola com segurança, por deixo desde já o aviso, muito, mas mesmo muito cuidado com o cianocrilato.

Cola branca para madeira
 Finalmente, na maioria dos nossos kits de veiculos automóveis existem quase sempre peças fabricadas em plástico transparente, podem ser vidros de carros pequenos ecrãs dos Fórmula 1 ou das motos, faróis variados, etc.

Para a colagem destes componentes que simulam vidro não podemos de forma nenhuma utilizar os dois tipos de cola acima descritos sob pena de danificarmos estas peças bastante sensíveis, a cola dita "normal" para modelismo poderia derreter as peças, deformando-as o que levaria a ficarmos com os vidros dos nossos modelos bastante empenados e irreais, por outro lado a "Super Cola" tem a horrível tendência de formar uma espécie de "fumo" que se cola nas peças, sujando-as de tal forma que depois é quase impossível remover este efeito.

Nesses casos a melhor escolha é a utilização da vulgar cola branca para madeira, esta cola, vendida em qualquer loja de bricolage é sem dúvida a mais indicada quando procuramos colar as transparências dos nossos modelos, as suas principais vantagens residem no facto de serem constuituidas basicamente por água e não deixarem marcas nas peças depois de secarem pois ficam completamente transparentes e invisíveis, são também muito baratas e se por acaso a cola começar a secar dentro do recipiente basta juntar um pouco de água para a mesma voltar a "reviver", simples e barato.

Como contra tem unicamente a sua pouca força de colagem não devendo por isso ser utilizada em colagens que exijam um pouco de força e resistência.


Por hoje é tudo, em breve voltarei com a terceira parte deste tutorial sobre as ferramentas necessárias ao modelismo, espero que estejam a gostar daquilo que foi escrito até agora, para mim é um prazer escrever para todos, ensinar aquilo que sei e aprendi ao longo dos anos pois no meu caso também houve alguém que me explicou tudo, que fez de mim um modelista de corpo e alma.

Terceira e última parte do artigo aqui.


Um grande abraço.

Pedro Costa

Monday, March 7, 2011

Modelismo - Como Começar (1ª Parte)



Olá a todos.

Já à algum tempo que tinha esta ideia em mente: escrever um ou vários artigos onde pudesse explicar o modelismo e as suas técnicas, utensílios necessários à pratica deste hobbie assim como as várias diferenças nos componentes que são utilizados para efectuarmos as nossas construções.

Hoje vou começar pelo principio, vou mostrar quais são as principais ferramentas que um modelista deve possuir para iniciar uma montagem básica de um kit, estas dicas de hoje aplicam-se a todo o tipo de modelismo, seja ele automóvel, aéreo, naval ou de outra espécie qualquer, todas as vertentes da montagem de uma miniatura começam por aqui, na preparação das peças para os passos futuros.

Estas ferramentas são essenciais para uma boa construção e convém comprá-las o mais cedo possível, de preferência na mesma altura que se fizer a aquisição do primeiro kit, é verdade que o esforço financeiro vai ser um pouco elevado e capaz de desencorajar quem esteja a começar mas não nos podemos esquecer que são utensílios que irão permanecer connosco durante a montagem de todos os modelos que construirmos no futuro o que fará com que este investimento inicial se dilua no tempo à medida que formos enchendo a nossa vitrina de modelos terminados.

Desta forma passo a enumerar quais são as ferramentas que cada um de nós deve comprar antes mesmo de abrir a caixa do primeiro modelo ou no caso de já o ter feito, antes de começar a ler o manual de instruções.


Alicate de corte para plástico:

Alicate de corte para plástico.
Esta é a primeira peça que precisamos, um alicate que nos permita cortar as peças das árvores de uma forma perfeita, o mais recto possível e sem danificar as mesmas, a ponta de corte deverá ser o mais pequena e plana possível de maneira a não interferir com as peças e também com os pequenos suportes que seguram as peças às árvores de sustentação.

Os melhores alicates para este tipo de trabalhos podem ser encontrados na grande maioria das lojas da especialidade, existem vários tipos de modelos, uns desempenham melhor as funções que outros e isso reflecte-se no seu preço de venda, não vale a pena comprar um alicate muito caro, de uma marca conhecida se logo ao lado estiver um quase igual a um preço mais baixo mas também não se deve comprar o mais barato de todos pois isso irá reflectir-se na relação final preço/qualidade.


X-Acto

X-Acto com laminas intermutáveis.
Esta é a segunda peça fundamental de qualquer modelista, o X-Acto é na verdade uma pequena faca muito afiada que tem por principal função a limpeza de pequenas irregularidades nas peças dos kits e também qualquer tipo de corte de precisão que necessitemos fazer seja numa peça, nos decalques ou até mesmo para efectuar ligeiros desbastes por raspagem (scratch).

Encontram-se à venda em todas as lojas de modelismo e têm a vantagem de ter as laminas intermutáveis, ou seja, as laminas de corte originais podem ser trocadas por outras iguais quando as primeiras já tiverem deixado de cumprir a sua função ou então podem também ser acopladas outros tipos diferentes de laminas para efectuarmos trabalhos de vários
tipos, existem laminas para todos os gostos, curvas, serrilhadas, tipo formão, etc, não necessitamos de comprar tudo isto, para começar uma lamina como aquela que é mostrada na primeira imagem serve perfeitamente para os primeiros passos e servirá para o modelista mais inexperiente ganhar experiência com este tipo de ferramenta de corte.

Tipos de laminas disponiveis.
Uma última nota para dizer que estas laminas são muitíssimo afiadas e que o mínimo deslize ou distracção pode conduzir a um acidente bastante grave, por isso todo o cuidado é pouco, sempre que não estiver a utilizar o X-Acto guarde-o em local seguro, de preferência coloque  a protecção que o mesmo tem de origem e que é no fim de contas uma tampa que se destina a tapar a lamina e mantenha-o sempre afastado das crianças ou de locais onde elas possam aceder com facilidade, nunca facilite, o X-Acto pode matar!


Lixas de vários grãos. 

Lixas de água variadas.
Depois de termos destacado as primeiras peças com o auxilio do alicate de corte e termos também começado a limpar algumas impurezas e os restos de plástico de suporte que ficaram nas peças com o novo X-Acto chegou a altura de fazer uma limpeza mais aprofundada nas peças de forma a removermos as marcas resultantes da moldagem, nomeadamente costuras resultantes da união das duas metades do molde e também as marcas resultantes da injecção do plástico dentro dos mesmos.

Para isto vamos necessitar de lixa em papel, existem no mercado lixas de vários grãos, com graus de abrasão que vão desde as mais rugosas até às lixas de acabamento e/ou polimento e cada estágio de acabamento ou grão é denominado por um número (60, 80, 120, 200, 1000,etc), quanto mais alto for o numero de referência mais fina se torna a lixa e mais adequada é ao nosso tipo de trabalho.

Como os nossos modelos são fabricados em plástico não convém usarmos as lixas mais "fortes", ficamo-nos só pelas mais suaves, aquelas que são normalmente usadas na industria da pintura automóvel, assim, desta forma basta compramos três folhas de lixa com os grãos 600, 1000 e 1200, convém que sejam no formato "lixa de água" por ser mais fácil efectuarmos este trabalho de remoção de defeitos, deve ser sempre feita com a ajuda de um pouco de água que actua como elemento lubrificante e evita que lixemos em demasia ou danifiquemos as peças de forma irremediável.

As lixas podem ser adquiridas em qualquer grande superfície comercial ou então em lojas especializadas em material de manutenção automóvel.


Limas de calado.

Jogo de limas de calado
Como complemento à lixas mas de aquisição não obrigatória temos as limas de calado, estas limas são uma preciosa ajuda par nos ajudarem na remoção de marcas mais salientes ou pronunciadas como por exemplo as que ficam depois da injecção ou ejecção das peças, desbaste das costuras mais irregulares deixadas também pelo processo de moldagem do modelo entre outras, estão divididas em dois grupos bastante distintos: as "bastardas" que são limas mais rugosas e ásperas servem essencialmente para trabalhos que exijam uma remoção de material muito grande enquanto as limas "murças", mais suaves e com um grau de abrasão menos elevado são utilizadas para pequenos retoques ou para remover pequenas quantidades de plástico ou defeitos pouco pronunciados, ambas são muito pequenas, têm cerca de 16 centímetros de comprimento, fáceis de utilizar e não provocam grandes danos nas peças se por acaso formos longe demais...
São vários os perfis disponíveis.

Além disso, estas limas têm vários formatos diferentes que são muito úteis para chegarmos aqueles locais mais escondidos ou onde uma lima dita "normal" muitas vezes não consegue alcançar, estes são alguns dos tipos em que podem ser encontradas: paralelas (planas), triangulares, meia cana, quadrada e por aí fora...de salientar que por norma estas limas são vendidas em conjuntos de várias unidades, normalmente cinco a seis  não sendo necessário comprar um exemplar de cada, desta forma pode-se sempre escolher qual o kit que mais nos serve e é mais adequado ao nosso tipo de trabalho, uma coisa é certa, é preciso praticar muito até conseguirmos retirar todo o potencial destas pequenas limas, muitos de nós nem imaginamos ou sonhamos aquilo que se consegue fazer com uma peça tão simples...


Por hoje ficamos por aqui, muito em breve continuarei a explicar quais são as principais ferramentas que um modelista deve ter ao seu dispor antes de se iniciar neste "hobbie" ou então antes mesmo de começar a fazer um modelo, seja qual for o modelo escolhido estas ferramentas devem estar já na bancada de trabalho antes de começar, sem elas podem ter a certeza que o modelismo deixa de ser um prazer e passa a ser um inferno ou uma aventura sem fim à vista!!

Para acederem à segunda parte deste artigo podem clicar aqui.


Um grande abraço.

Pedro Costa

Tuesday, December 1, 2009

As Várias Cores e Tintas do Modelismo


Olá a todos.

Tenho-me esquecido sempre que falo de modelismo ou de pinturas de explicar as diferenças entre os vários tipos de tintas e marcas disponíveis no mercado.
Todos os Modelistas têm à sua disposição uma grande variedade de tintas para poderem pintar os seus kits, o mercado é muito vasto, oferecendo inúmeras possibilidades, as cores são muitíssimas, para além de a própria matéria prima ser também ela bastante vasta.

Existem tintas em spray que podem ser acrilicas ou sintéticas, tintas esmalte ou "Enamel" e acrílicas, para pintura a pincel ou aérografo, enfim, toda uma grande variedade de cores e especificações que muitas vezes nos põem a cabeça a andar à roda, tal é a quantidade e o formato, tornado muitas vezes a escolha de uma determinada cor um verdadeiro quebra cabeças.

Todas as marcas têm equivalências entre si, existindo até tabelas de conversão para melhor se perceber qual corresponde a qual.

Vamos então ver os diversos tipos de pintura que eu utilizo nos meus modelos, não utilizo tintas de todas as marcas até porque existem algumas que são praticamente impossíveis de encontrar aqui em Portugal.



Spray Acrílico Tamiya, série "TS"




Gama de cores dos sprays acrílicos Tamiya

Este tipo de tintas são normalmente utilizadas para pintar grandes superfícies, vêm em latas de 100 ml e normalmente costumo utilizá-las para pintar as carrocerias e os chassis dos veículos, por norma as peças maiores dos kits que costumo montar.

Já vêm diluídas e, antes de cada utilização convêm abanar bem a lata para misturar os pigmento com o solvente e com o gás. Quando o clima está mais frio costumo também deixar a lata por uns minutos dentro de água tépida ou então ao sol, para assim a tinta ficar mais fluída.

O principal cuidado a ter na pintura com spray é o doseamento da pintura, evitar sempre pulverizar muito tempo no mesmo local da peça sob o risco da tinta escorrer e arruinar definitivamente a pintura. Convém dar sempre várias demãos de pintura, começando por um borrifo geral e aumentando gradualmente a espessura das camadas, terminar com uma camada molhada e brilhante.

Depois convém deixar secar cerca de uma semana ou mais, dependendo do clima, sendo que após isso, podem ser polidas para evidenciar o seu brilho.

No que toca à segurança, pintar sempre em locais bem ventilados ou no exterior e evitar respirar os vapores, utilizando de preferência uma máscara.


Tintas acrílicas Tamiya, série "X" e "XF"



Gama de cores dos tintas acrílicas Tamiya, série "X" e "XF"


À semelhança dos sprays, estas tintas também são acrílicas, sendo vendidas em pequenos frascos de vidro nas variedades de 23 ou 10 ml, por norma costumo utilizá-las para pintar pequenos pormenores dos veículos, como jantes, escapes, peças do conjunto mecânico, etc.

Podem ser utilizadas para pintar a pincel, em que convém ter sempre o pincel molhado em água ou em diluente próprio da marca, ou com o aérografo, tendo que se diluir sempre a mesma para utilizar este acessório de pintura, para aérografo podem-se utilizar vários tipos de diluente na proporção de 3:1 (3 partes de tinta para 1 de diluente, por vezes poderá variar a relação, dependendo da espessura da tinta), alguns bastante comuns: para além do diluente "X-10A" da Tamiya , pode-se utilizar também álcool etílico, àgua, e detergentes que contenham alcool, parece estranho não é? A utilização de diluente é sempre recomendada até porque estas tintas têm uma secagem muito rápida.

A gama de cores é bastante variada e existem todo o tipo de cores. A Tamiya utiliza dois tipos de referências, as cores com a referência "X" são as cores brilhantes enquanto as de tipo "XF" são as cores mate, sem brilho.

São menos tóxicas que os sprays mas não dispensam o mesmo tipo de precauções na sua utilização.


Tintas "Enamel" Humbrol


Gama de cores Humbrol "Enamel"

Foram as primeiras tintas que utilizei quando me iniciei no Modelismo, na época eram as mais fáceis de encontrar nas lojas da especialidade, continuo fã e ainda hoje as uso.

São tintas muito polivalentes podendo ser utilizadas tanto para pintar a pincel como a aérografo.
À semelhança das acrílicas, por norma costumo pintar a pincel, sempre para dar pequenos retoques ou para colorir pequenas peças, são muito fáceis de aplicar, têm um tempo de secagem bastante alargado, cerca de 5 dias, dependendo das condições atmosféricas.

Existem nas variedades brilhante, semi brilhante, mate, transparentes, metalizado normal e metalizadas para polir.

Na utilização com aérografo é sempre necessária a adição de diluente, podendo-se utilizar o fornecido pela marca ou de outros tipos, dos quais destaco a aguarrás e a terebentina.

A relação de diluição varia com os diversos tipos de cor, nas cores brilhantes é recomendada a relação 3:1 (3 partes de tinta para 1 de diluente), nas cores mate por norma utilizo 3:2, visto serem tintas um pouco mais espessas.

São as mais tóxicas de todas por isso todas as precauções que se possam utilizar são poucas.


Tabela de conversão de cores


Muitas vezes ao comprarmos tintas nas lojas da especialidade pode acontecer a mesma estar esgotada, e para evitar esperas prolongadas enquanto o stock não é reposto pode-se sempre recorrer a esta tabela.
Nela podemos ver as várias equivalências entre algumas cores de vários fabricantes, não todas, porque algumas são exclusivas, a conversão por norma é bastante fiel podendo acontecer existir uma diferença na tonalidade muito pouco perceptível, a tabela acima é fornecida pela Humbrol e faz a conversão de vários fabricantes para a marca Francesa, nela podemos ver a conversão de marcas tão variadas com a Testors, a Revell, a Tamiya, A Gunze Sangyo, etc.

Nesta tabela podemos também, através do cruzamento de dados ver as equivalências entre todas as marcas listadas.

Costumo ter uma tabela destas em casa, sempre que vou comprar tintas conto sempre que possam estar esgotadas, por isso já levo as referências das cores alternativas, a tabela é muito fácil de consultar, não oferecendo dificuldades de maior na sua consulta, o único problema que pode surgir é o de não haver conversão possível, aí temos duas alternativas: ou esperamos que volte a haver tinta da marca ou então compramos a mais aproximada o que, muitas vezes pode ser um erro devido ás cores poderem parecer semelhantes no papel mas depois de pintadas ficarem muito diferentes.

Por hoje é tudo, espero que tenham gostado da explicação, como podem ver, o mundo das pinturas é muito vasto, quase posso dizer que existem todas as cores que os nossos olhos podem ver numa vida.

Um grande abraço

Pedro Costa